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Economia e emprego | Editorial Newsletter 09/2025

Cada período histórico traz consigo novidades e incógnitas, mas talvez o nosso tempo, caracterizado por mudanças contínuas devido a abundantes descobertas científicas e tecnológicas, traga ainda mais.
No entanto, é estranho, ou talvez não seja, que, em comparação com a segunda metade do século 19 – com o Positivismo devido à plena confiança na ciência –, atualmente, essas grandes possibilidades, em vez de nos relaxar ou entusiasmar, trazem preocupação. Ou ao menos produzem em nós emoções complexas, controversas e ambivalentes.
Talvez isso aconteça porque, em relação a alguns séculos atrás, temos mais experiência de vida e sabemos que a felicidade das pessoas, ou seu bem-estar, seu equilíbrio, não depende, senão parcialmente, da sua velocidade, dos confortos alcançados.
O ser humano, para se sentir bem, também precisa – acima de tudo – permanecer em uma relação profunda com a natureza: a interior (sua antropologia) e a exterior (o ambiente do qual faz parte).
É por isso que temos a sensação, se não o medo, de que a sociedade das máquinas cada vez mais autônomas e inteligentes pode nos fazer perder o rumo, em vez de amenizar nossa vida. Há o risco de que nos leve por caminhos muito distantes daqueles para os quais fomos projetados e de alterar perigosamente nossas economias, nossa relação com o trabalho e os relacionamentos.
Portanto, para começar a responder a essa questão básica do nosso tempo, dedicamos este mês de janeiro de 2025 a uma reflexão sobre o trabalho e a economia: duas palavras que inevitavelmente se encontram nesta passagem histórica. Duas outras palavras importantes e centrais, às quais devemos prestar atenção com cuidado, são a palavra “inteligência” e a palavra “artificial”.
Já são uma dupla de fato, mas também um paradoxo a ser olhado com prudência e seriedade. Daí a nossa entrevista com a jornalista Monica Mondo, que na TV2000 – o canal italiano da CEI (Conferência Episcopal Italiana) – apresenta um programa bem interessante, intitulado AlgorEtica. Trata-se precisamente da inteligência artificial e, inevitavelmente, também do trabalho e da economia. Ela faz isso com inteligência e sabedoria, ambas não artificiais, mas estritamente humanas.
Também “Ruptura”, a série da Apple TV+ que acaba de retornar com a segunda temporada, fala sobre o binômio perigoso: tecnologia e trabalho. Com sua ficção científica ética e filosófica, trata dos perigos da hipertecnologia em nossa vida profissional, e faz isso com estilo refinado e implicações inquietantes, por meio de uma hipérbole que não revelamos aqui, mas explicamos em nosso artigo/reflexão sobre a série e sobre as questões a ela relacionadas.
Também recuperamos, para falar de economia, humanidade e trabalho, a resenha de um filme lançado há algum tempo com o título “Cento domeniche” (Cem domingos): um bom trabalho, formativo e emocionante, que fala de trabalhadores honestos traídos por bancos especuladores, que se tornaram incapazes de construir com os mais frágeis aquela relação virtuosa funcional para a construção de uma comunidade.
A economia descrita em “Cento domeniche” mata. É uma economia violenta, como é violenta a realidade do Congo, onde há guerra e onde a própria economia é dominada pela presença de materiais preciosos, que são tentadores para muitos e criam conflitos e divisões.
No entanto, há pessoas e realidades – como contamos no interessante artigo de Paolo Balduzzi – que trabalham incansavelmente para construir a paz no Congo e um bem-estar comum feito de fraternidade e de democracia.
Muitos jovens estão trabalhando com esse objetivo, eles acreditam em uma economia que não mata, mas, ao contrário, traz vida verdadeira. É a economia inspirada em Francisco de Assis e amiga da terra, da paz e do ser humano. É a economia presente no pacto assinado pelo Papa Francisco, em Assis, com os jovens, resumido na sigla Economy of Francesco.
Vamos acompanhar atentamente o trabalho deles e aqui propomos alguns artigos nos quais o descrevemos.
Boa leitura.